Artes Visuais

A artista Fabíola Trinca, une de maneira simbiótica, produção e propósito: viver de maneira mais sustentável, consumir conscientemente, produzir com o mínimo de impacto negativo para o planeta e conscientizar as pessoas para essa causa. Um dos principais objetivos da artista, é questionar as fronteiras entre arte e moda, dialogando sobre as consequências do que consumimos e do escolhemos nos conectar dentro e fora do nosso corpo. 

O corpo, a alma, o tecido, a trama e as conexões que estabelecemos com nossa ancestralidade por vias espirituais e também, através das nossas escolhas cotidianas, por vias conscientes. Aqui, Fabíola traz como discurso, o lugar do corpo humano como matéria prima, não existindo distanciamento entre o homem e a natureza, num contexto em que as plantas tintórias são canal de cura para males pertinentes ao corpo e a mente humana. 

Quando o corpo através de pigmentos naturais se conecta ao invisível, cria-se uma força magnética capaz de transformar nossa existência apenas como simples mortais. Celebrando a real conexão ancestral com nosso umbigo divino, a terra. 

Em seus trabalhos, Fabíola utiliza tecidos naturais como suporte primordial para dialogar na arte contemporânea. É intensão da artista, provocar questionamentos sobre o uso do tecido, sua qualidade, procedência e seu descarte. Mergulhando assim, em processos manuais e artesanais, num constante debruçar em buscas alternativas atóxicas para se produzir arte, extraindo responsavelmente da natureza a plenitude de sua beleza, vibração e cor. 

Através de uma artesania própria, se faz o resgate de um trabalho de conscientização. Sustentabilidade não é apenas uma bandeira, mas sim uma necessidade urgente numa sociedade que atualmente enfrenta um cenário de destruição dos recursos naturais planetários. Incentivar a redução do consumo é responsabilidade de todos nós. E nada melhor do que a arte para nos libertar de amarras antigas e pretensiosas. 

Por Mariana Quintão (@hildebranda)

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